A impressionante saga do homem cego que salvou funcionários judeus durante o Holocausto

Nascido em 1883, Otto Weidt era de origem operária, mas que teve de deixar seu emprego devido a uma cegueira que se agravava progressivamente. Por isso, decidiu criar uma oficina no bairro de Mitte, em Berlim, na qual eram fabricadas escovas (que poderiam ser utilizadas em sapatos) e vassouras.

O projeto ‘Livraria Judia Virtual’ documenta que o estabelecimento contratou judeus, em sua maioria cegos, surdos ou mudos para trabalharem no local.

Na época, os horrores da Segunda Guerra Mundial já se espalhavam. Logo, iniciou-se uma intensa perseguição aos judeus. Mas quando os oficiais da Gestapo quiseram levar seus funcionários, Weidt os enfrentou ao realizar subornos e falsificar documentos. Assim, ficou conhecido como o “guardião do cego judeu”.

Weidt não empregava apenas pessoas com deficiências. Havia também funcionários judeus sem a deficiência, o que era contra a lei: toda contratação de trabalhadores judeus deveria ser mediada. Assim, quase sempre esses profissionais acabariam trabalhando de maneira forçada. Foi Otto quem bateu de frente com essa regra ao salvar vidas.

Inge Deutschkron, por exemplo, era uma dessas pessoas que não possuíam deficiências. Com a jovem vivendo ilegalmente ao lado da mãe, foi o dono da fábrica quem conseguiu um documento (a partir de uma prostituta que não precisava da autorização) que a autorizava a trabalhar – e consequentemente escapar do trabalho forçado. Contudo, a antiga dona do documento acabou sendo presa e o mesmo não pôde ser utilizado.

Um dia, muitos trabalhadores da oficina acabaram sendo apreendidos. Porém Weidt, com sua coragem, foi até a assembleia em Grosse Hamburger Strasse e conseguiu libertá-los antes que fossem deportados.

Já em outra ocasião, Otto viajou até a Polônia para resgatar Alice Licht, uma jovem judia que se abrigava junto aos pais num esconderijo secundário da empresa. Entretanto, a jovem acabou sendo descoberta e levada pela Gestapo após uma denúncia.

Licht declarou anos depois ao memorial Yad Vashem que Weidt havia planejado sua fuga, mas que não foi possível. Com o fim da guerra, ela conseguiu escapar do campo de Christianstadt e voltou para Berlim, abrigando-se num apartamento alugado por Weidt. Infelizmente, os pais da jovem não tiveram a mesma sorte.

Após impressionantes feitos durante a guerra, no ano de 1971, Otto Weidt foi reconhecido pelo Yad Vashem como um dos homens justos entre as nações devido à sua coragem ao salvar a vida de judeus na Alemanha Nazista.

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