*Por que o termo “judiar” deve sair do vocabulário?*

Assim como a palavra “denegrir”, fortemente associada à depreciação dos negros, não é tão bem aceita em tempos atuais, outras peças do nosso vocabulário, que parecem inofensivas, carregam com si uma origem, no mínimo, controversa.

O dicionário brasileiro define “judiar” como: maltratar, atormentar, zombar, fazer sofrer. A palavra é composta por “judeu” e o sufixo “iar”, trazendo consigo uma carga ofensiva.

Basta uma pequena análise para notar que “judiar” faz referência ao tratamento desumano que os judeus sofreram durante o Holocausto. Logo, alguém que “judia” de outro ser humano está tratando esta pessoa como os judeus foram tratados.

Simon Schama, historiador britânico, destaca: “O mais terrível são as versões das acusações de assassinato ritual, ofensa fantasiosa em que judeus continuam a crucificar versões de Cristo, depois disseminadas na Idade Média. Começou cedo a apresentação dos judeus como vampiros religiosos, que têm de torturar crianças, crucificá-las e despejar seu sangue. Isso persiste”.

Reproduzir o termo “judiar” é perpetuar uma ideia errônea de que um povo deve sofrer por conta de suas crenças religiosas. A melhor solução é substituir a expressão por outras que possuem um significado semelhante: ao invés de “judiar”, use sinônimos. Prefira “maltratar”, “importunar”, “provocar”. Gesto simples que ajudam a manter a memória de um tempo marcado pela intolerância e o respeito pelas vidas ceifadas no passado.

Fonte: Aventuras na História

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