Sobrevivente do Holocausto: “A felicidade dobra quando se compartilham lições”

“Vivi por um século e sei o que é encarar o mal de frente. Vi o pior da humanidade, os horrores dos campos de extermínio, os esforços nazistas para exterminar minha vida e as vidas de todo o meu povo. Mas agora me considero o homem mais feliz da Terra”.

É assim que o judeu alemão Abraham Jakubowicz começa seu primeiro livro, “The Happiest Man on Earth” (“O Homem Mais Feliz do Mundo”) lançado poucos meses depois que ele completou 100 anos.

“Jaku” sobreviveu à “Noite dos Cristais Quebrados”, de 1938, ao encarceramento nos campos de Buchenwald e Auschwitz, a Josef Mengele e à “Marcha da Morte”. Foi encontrado delirando e pesando menos de 30 kg por soldados americanos ao fim do conflito, em junho de 1945. Durante o período em que esteve escondido, em uma caverna, alimentou-se de lesmas e caracóis.

Ainda assim, diz ele, que não odeia seus torturadores.

“Odiar alguém é uma doença. Destrói seu inimigo, mas, no processo, te destrói também”.

Em vez disso, Jaku diz ter escolhido o caminho da felicidade, baseando sua vida no tripé “esperança, saúde e alegria”.

“A felicidade é a única que dobra quando você compartilha com alguém”, diz, descrevendo-se como “o homem mais feliz do mundo”.

“Sou o mais feliz porque fui condenado a morrer. Quando botaram um número no meu braço esquerdo, virei um número, achei que não fosse sobreviver. Quando saí do hospital, prometi que ajudaria o próximo, seria bondoso, faria tudo o que os alemães não fizeram por mim. Essa é minha vitória”.

Jaku emigrou para a Austrália em 1950, onde vive até hoje com a mulher, Flore, com quem está casado há 74 anos. Tem filhos, netos e bisnetos.

“A Alemanha era um país civilizado. As crianças da minha escola vinham à minha casa e comiam conosco. Não havia distinção porque sempre fomos alemães em primeiro lugar”, conta. No entanto, tudo isso mudou quando Adolf Hitler chegou ao poder.

Quando Eddie voltou do internato em 09 de novembro de 1938 para surpreender seus pais em seu 20º aniversário de casamento, não havia ninguém em sua casa. Era a Kristllnacht, a “Noite dos Cristais Quebrados”, uma onda de agressões contra judeus em várias regiões da Alemanha e da Áustria – o nome faz alusão aos milhões de pedaços de vidro partidos que encheram as ruas depois das janelas das lojas, edifícios e sinagogas judaicas terem sido destruídas.

Sem saber onde estava sua família, Jaku adormeceu em seu quarto. Às 5h da manhã, a porta foi arrombada por soldados nazistas. Jaku foi espancado.

“Dez nazistas invadiram minha casa, fui espancado. Perdi minha dignidade, minha fé na humanidade. Meu cachorro veio me defender e eles o mataram com uma baioneta. E gritaram: cachorro judeu!”.

Foi levado para o campo de concentração de Buchenwald. Quando ele perguntou à enfermeira sobre a possibilidade de fugir, ela lhe disse: “Se você fugir, eles encontrarão seus pais e os matarão”.

Após a libertação de Buchenwald, ele e seu pai fugiram para a Bélgica e depois para a França, onde ele foi novamente encarcerado. Após 11 meses em um campo, Jaku e outros prisioneiros foram colocados em um trem para Auschwitz. Ele liderou a fuga de nove homens através do assoalho do trem e voltou para a Bélgica, vivendo ilegalmente em um sótão com seus pais e irmã.

Em outubro de 1943, a família foi descoberta a partir de uma denúncia anônima e presa.

Jaku e sua família suportaram uma viagem exaustiva de nove dias de trem, sobrevivendo com apenas dois copos de água por dia, para Auschwitz, na Polônia, onde sua mãe, de 43 anos, e seu pai, de 50 anos, foram assassinados em uma câmara de gás.

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