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Clarice Niskier apresenta “A Lista” no Midrash Centro Cultural/RJ

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Nos dias 14, 21 e 28 de fevereiro, Clarice Niskier apresenta “A Lista” no Midrash Centro Cultural/RJ. A peça é a adaptação de uma história verídica, acontecida em uma província no Canadá sobre o tema da responsabilidade. Sinopse: Quando algo que está sob nossa responsabilidade dá errado, e levamos um choque, a primeira coisa que precisamos pensar é: eu tinha noção do tamanho da minha responsabilidade? Fiz tudo que estava ao meu alcance? Não? Por que? Por que considerei a questão de forma superficial? Quais são as prioridades da minha vida? O que é urgente em relação à mim e ao Outro? O que não pode esperar e eu faço esperar para além do possível? Não se trata de culpa, mas de entender quais são as nossas responsabilidades em relação à tenra humanidade em pleno Século XXI. A Lista narra a história de uma mulher moderna que tenta salvar o seu casamento em uma pequena cidade do interior. Lá, o casamento degringola, e ela conhece Caroline, uma provinciana que leva a vida de forma leve e amorosa apesar de ter tantos ou mais problemas do que ela. O mundo interno de cada uma vai se revelando e Caroline no parto de seu quinto filho, morre. A vida da narradora se transforma completamente. É uma história que se passa cercada de neve, e das águas da primavera. Podia se passar sob o sol de 40 graus e a brisa suave do outono. É uma história humana, universal, sobre a qualidade de nossa presença neste mundo. Quando estamos aqui, de verdade?

“A Lista” coloca em cena uma única personagem, uma mulher, mãe de três filhos, voltada de corpo e alma a um cotidiano de troca de fraldas, de narizes escorrendo, onde os azulejos da cozinha podem ou não brilhar. Esta mulher, perfeccionista ao extremo, totalmente consumida por uma existência que lhe pesa, implora pelo seu olhar. Ela está obcecada por uma pergunta que ainda não foi feita: o que faltou na dança interminável de meu cotidiano para evitar que Caroline, a minha vizinha, morresse? Ela verá nos seus olhos que vocês não podem tranquilizá-la, nem tampouco acusá-la friamente. Vergonha, culpa, egoísmo, individualismo, esnobismo. Todas essas palavras são utilizadas quando me falam de A Lista. Quanto a mim, prefiro a palavra ‘solidão’.”, afirma a autora, Jennifer Tremblay.

A história é apresentada ao público em retrospecto, narrada por uma mulher sem nome (Clarice Niskier). Residente em uma região campestre com o marido e os três filhos, ela sente falta da rotina urbana que deixou para trás, sua adaptação à vida no campo não é fácil. A inadequação parece maior ainda quando se compara à sua vizinha e amiga Caroline, que leva uma vida feliz e despreocupada como mãe devotada aos quatros filhos e à vida familiar, enquanto ela vive atormentada pela autoimposição de estar em dia com todas as tarefas objetivas, encaixando o mundo dentro de intermináveis listas. Na sanha de eliminar os inúmeros afazeres de suas listagens, um deles, talvez considerado secundário, foi continuamente adiado. Mas este item esquecido torna-se um grande problema quando ela recebe a notícia da morte de Caroline, e se vê obrigada a rever todas as suas prioridades.

O texto chegou às mãos de Clarice Niskier há cerca de quatro anos, quando ela já vinha percorrendo um longo caminho de pesquisa sobre o trabalho do ator através de “A Alma Imoral” – que em 2019 completa 13 anos ininterruptos em cartaz. Clarice encontrou no texto de Jennifer Tremblay, assim como no de Nilton Bonder, a expressão do que vinha refletindo e do que queria dizer naquele momento de sua vida.

Porém, apesar de “A Lista” ser a continuação de uma pesquisa de linguagem, esta peça apresenta ao público um resultado bem diferente, tanto na forma quanto no conteúdo, do seu trabalho anterior. Não há neste novo trabalho nenhum tipo de reedição da proposta anterior. As ferramentas de Clarice Niskier agora servem a uma nova construção, que levará atriz e público a um novo lugar.

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