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Dia 13 de agosto: Baterista de 94 anos, que sobreviveu ao Holocausto fará show em SP

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O baterista Saul Dreier é um polonês sobrevivente do Holocausto que, há cinco anos, fundou a Holocaust Survivor Band. Ele vai se apresentar, pela primeira vez no Brasil, no dia 13 de agosto, às 20h, no auditório do Anhembi, em São Paulo. O show, beneficente, é promovido pelo Ten Yad.

Em 2014, Saul passava a maior parte do tempo em casa, na Flórida. Certo dia, enquanto passava o tempo no computador, ele leu sobre a história de Alice Herz-Sommer, pianista judia que havia sobrevivido aos campos de concentração nazistas. Ela tocou o instrumento até falecer, aos 110 anos. Este foi o incentivo para Saul montar uma banda de sobreviventes do Holocausto.

Antes de ser mandado para o primeiro campo de concentração, Saul chegou a viver em um gueto, junto com a família, em Cracóvia. Conseguiu ficar ali por um tempo com a mãe, a irmã e a avó. Mas a situação mudou.

“Os alemães começaram a levar pessoas para o crematório. Minha mãe foi a primeira a ir. Eles iam para os trens e [os nazistas] os levavam embora. Depois descobrimos para onde eles iam”, narra. Aos 16 anos, com o pai e a irmã também já assassinados pelos nazistas, ele foi mandado para o campo de concentração de Płaszów, perto de Cracóvia. Faltava comida, e os prisioneiros tentavam manter um pouco de alegria com a música – que ajudou a mantê-lo vivo, diz.

“Havia um cantor que costumava cantar em uma sinagoga em Cracóvia. Eu tinha duas colheres e fazia a batida”, conta. O polonês calcula ter perdido entre 25 e 30 membros da família para o nazismo. Só ele, uma tia e uma prima sobreviveram — as duas tinham sido incluídas em uma das listas de Schindler e mandadas ao campo de Brünnlitz, na Tchecoslováquia (em uma área que hoje é a República Tcheca).

Ele e a prima conseguiram se reencontrar em 2012, graças a uma iniciativa da Cruz Vermelha; antes disso, um não sabia que o outro estava vivo. Outros parentes tinham fugido da Polônia antes ou durante a guerra, alguns deles para o Brasil. Do campo em Płaszów – onde trabalhou em um subcampo que tinha uma das fábricas de Schindler – foi levado para o campo de Mauthausen; e, então, para outro em Linz, também na Áustria, onde foi libertado. Dali, levaram-no para um campo de pessoas deslocadas pela guerra na Itália, país onde ficou cinco anos. Foi ali que se reencontrou com a música.

“Alguém do comando do campo trouxe um piano e um conjunto de bateria. Pediram voluntários. O cara para o piano se voluntariou, e eles não tinham ninguém para a bateria. Aí eu me voluntariei”, conta. Depois da guerra, Saul passou um tempo em um campo para pessoas deslocadas pela guerra, onde também tocou bateria. Viveu uma vida inteira nos Estados Unidos. Emigrou para lá em 1949: primeiro morou no Brooklyn, depois em Nova Jérsei, e, então, na Flórida. Casou-se, teve quatro filhos, nove netos e dois bisnetos. Começou trabalhando como soldador em uma fábrica e, depois, saiu para abrir o próprio negócio.



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