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Documentário aborda “silêncio” do Papa Pio XII durante o Holocausto

filme Holy Silence

Estreou no Festival de Cinema Judaico de Miami o filme “Holy Silence”, que aborda o “silêncio” do Papa Pio XII durante o Holocausto. O filme relata o período entre 1939 a 1958 – reunido em contexto histórico de cerca de 17 milhões de páginas de documentos que o Vaticano se dispôs a abrir.

No ano passado, o Papa Francisco anunciou que, em 02 de março de 2020, abriria os Arquivos do Vaticano sobre o pontificado de Pio XII. É um evento há muito aguardado, pois há controvérsias há décadas sobre a omissão de Pio XII para salvar judeus durante o Holocausto. De fato, a canonização de Pio XII foi adiada – se não totalmente descartada – devido a polêmicas sobre sua relutância em usar a influência da Igreja durante esse período sombrio. “A Igreja não tem medo da história”, disse o Papa Francisco em seu anúncio oficial sobre a abertura dos arquivos.

Os arquivistas do Vaticano, liderados pelo bispo Sergio Pagano se prepararam durante anos para esta abertura antecipada (os arquivos geralmente são abertos 70 anos após o final de um pontificado). Além dos Arquivos Secretos do Vaticano (renomeados recentemente como Arquivos Apostólicos do Vaticano), vários outros arquivos do pontificado de Pio XII de 1939 a 1958 serão abertos. Os pesquisadores levarão anos para vasculhar os aproximadamente 17 milhões de páginas de documentos que se espera que sejam divulgados.

O cineasta Steven Pressman começou a trabalhar em “Holy Silence” em 2017, sem levar em conta qualquer possibilidade de abertura dos Arquivos Secretos do Vaticano. No entanto, ele se diz satisfeito com o momento escolhido para o lançamento do filme.

Pressman obteve sucesso com seu primeiro documentário da era nazista na Alemanha, “50 Children”. Depois, ele descobriu que o assunto sobre Pio XII e o Holocausto havia sido abordado em livros, mas não em filmes.

Ele se debruçou sobre vários desses autores como parte de sua pesquisa. Os comentários de pelo menos uma dúzia desses estudiosos, jornalistas, historiadores e membros do clero são intercalados ao longo do filme com filmagens de arquivo e várias reconstituições dramáticas.

Em “Holy Silence”, Suzanne Brown-Fleming, diretora de programas acadêmicos internacionais do Museu Memorial do Holocausto dos EUA e autora de “O Holocausto e a Consciência Católica” afirma que os líderes nazistas não se importariam com o que o papa dissesse naquela ocasião. No entanto, Pio XII poderia ter feito mais para despertar a ‘consciência moral’ dos nazistas.

“Estou pensando aqui nos 21 milhões de católicos alemães que tiveram que cooperar e apoiar o regime nazista para que ele funcionasse. Talvez eles tivessem se comportado de maneira diferente. Talvez eles tivessem abrigado uma família judia. Talvez eles tivessem respondido de forma diferente a uma ordem no campo de batalha, ou respondido ao bandido nazista em seu bairro, ou quando sua própria igreja estava sendo atacada”, diz Brown-Fleming no filme.

O papa acreditava que se os nazistas vencessem a guerra poderiam controlar a maior parte da Europa. Por isso, os pedidos americanos de apoio aos aliados não foram ouvidos. Em suas declarações públicas e discursos no rádio, o pontífice denunciou a violência e expressou tristeza pelas vítimas, mas não mencionou explicitamente os judeus. Em um discurso, ele pediu aos combatentes que não bombardeassem os tesouros arquitetônicos e artísticos de Roma e da Cidade do Vaticano, mas não expressaram preocupação em proteger as pessoas.

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