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Elie Horn, da Cyrela: filantropia precisa acontecer sempre, não só na crise

Elie Horn Cyrela

O empresário Elie Horn, fundador e presidente do conselho de administração da construtora Cyrela, passou a ser menos conhecido pelos prédios que colocou em pé nos últimos anos. “Seu Elie”, como gosta de ser chamado, começou a empunhar a bandeira da filantropia e tenta convencer os seus pares da iniciativa privada a seguir o seu caminho.

Ele já se comprometeu a doar 60% de toda a sua fortuna para terceiros, especialmente instituições e iniciativas ligadas ao bem comum. Ele possui uma fortuna avaliada em cerca de R$ 1 bilhão, segundo levantamento realizado pela revista Forbes. Ou seja, pelo menos R$ 600 milhões serão destinados para causas sociais.

Mas o que falta para mais pessoas seguirem o seu exemplo? Para Seu Elie, é necessário mais conscientização. “Temos que mostrar que isso é fazer o bem e que fazer o bem faz bem”, diz ele “As pessoas não sabem o que é filantropia, que doar faz bem. O tema não pode ser apenas uma vontade, mas uma obrigação.”

A pandemia, apesar de todos os problemas causados tanto na saúde quanto na economia, o empresário enxerga que está acontecendo uma abertura maior para falar sobre o tema, até mesmo com os seus pares. Mas ainda existem muitas resistências, especialmente com os familiares.

Não à toa, o brasileiro doa muito pouco em comparação ao que se vê em outros países. Por aqui, a filantropia não chega a alcançar 0,2% do PIB – Seu Elie está tentando convencer amigos e conhecidos a dobrar esse número. Nos Estados Unidos, o valor ultrapassa os US$ 420 bilhões, mais de R$ 2 trilhões, o que chega a representar 1,4% de toda a economia americana.

“As pessoas têm medo de assumir compromissos grandes. A vontade existe, mas existe o medo da família, de não poder entregar o que está prometendo”, diz o empresário. “Eu quase consegui convencer alguns amigos a doar metade do patrimônio, mas não deu. Porém, sigo confiante.”

É praticamente certo que o mundo inteiro deve enfrentar uma crise econômica nos próximos meses em virtude do avanço da COVID-19. Aqui no Brasil, já se projeta queda de até 5% no Produto Interno Bruto de 2020. O desemprego, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas, pode chegar a 23%.

Para Seu Elie, a crise faz parte do crescimento e o que as pessoas precisam estar é aptas a aguentar. E, claro, quem puder ajudar ao outro que o faça, mas com um porém.

“Não pode se ajudar somente na crise, mas no ano inteiro. Não é só hoje e precisa ser sempre. Quando você ajuda a alguém comer e beber, você sente que está fazendo algo valioso”, diz Horn.

O empresário se considera centro-direita quando se fala em economia, mas socialista na hora de fazer doações. Não por acaso, juntamente com a sua esposa Susy, é o único brasileiro no movimento The GivingPledge, organização que foi criada e é mantida pelo caso Bill e Melinda Gates, além do mega investidor Warren Buffett. Basicamente, é um clube de bilionários de todo o planeta que prometem dedicar as suas vidas à filantropia.

“Se não ajudar, eu vou pagar pela eternidade. Parece brincadeira, mas não é. Se eu não faço o bem, vou pagar por isso mais tarde. Eu já fui muito pobre na vida e não quero ser pobre na eternidade”, diz Horn.

Ouça a reportagem na íntegra: acesse.

Fonte: André Jankavski/CNN Brasil Business

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