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“Gvahim”: Brasileiros voam alto no mercado de trabalho em Israel

50ª turma - 4 brasileiros


Por Marcus Gilban – Você já fez “Gvahim”? Muitos jovens olim chadashim brasileiros vêm se deparando com a pergunta logo nas primeiras semanas em Israel. De um total de 3.000 ex-alunos (chamados de alumni) em 10 anos de operação do badalado programa de orientação profissional, cerca de 100 são brasileiros, apenas 3,3% do total. Esse número vem aumentando à medida que crescem tanto a aliá do Brasil quanto os casos de sucesso. Nas primeiras turmas de 2018, o percentual de brasileiros já é mais que o dobro.

“É fato que muitas aliot mais recentes não se deram somente por sionismo ideológico, mas sim por questões como crise política e econômica”, reconhece o mexicano Juan Taifeld, 46 anos de idade e quase 30 de Israel, que acaba de assumir a posição de CEO do Gvahim após quase cinco anos como gerente regional da Agência Judaica responsável por alguns países da América Latina. “O Gvahim tem um papel de suma importância ao oferecer ao olê chadash uma esperança de inserção profissional por meio da nossa rede de pessoas e serviços. O trabalho serve de âncora para qualquer imigrante se basear num país, seja ele qual for. Aqui em Israel, queremos dar dignidade ao olê para que ele possa fincar suas raízes nesta terra que é natural de todos os judeus”, completa o neto de imigrantes que fugiram da Polônia antes da 2ª Guerra e, ao terem o visto negado para a região da Palestina britânica, terminaram no México tentando entrar nos Estados Unidos.

É inegável que boa parte dos olim chadashim brasileiros dos últimos dois ou três anos não tiveram apenas o sionismo como mola mestra. Trata-se de integrantes da classe média alta que buscam qualidade de vida e segurança num país próspero como Israel, possuem graduação e até pós-graduação, e consequentemente alta expectativa de sucesso profissional. O Gvahim cai como uma luva como ferramenta preciosa de imersão no mercado local, mesmo que para isso seja preciso reinventar-se profissionalmente.

“Olim chadashim chegam a Israel sem uma rede de contatos. Aqui eles não têm o amigo da escola, o colega da faculdade, o primo que trabalha naquela empresa tal. É preciso construir essa rede do zero. Eu, que estou aqui há nove anos, demorei muito para criar minha rede de contatos”, conta Luna Edelstein Froumine, ex-aluna do Gvahim que hoje atua como gerente de marketing de produtos na área de inovação da Amdocs, a gigante israelense de software que se tornou a empresa que mais contrata olim chadashim e, por esta razão, uma das mais almejadas por eles.

O Gvahim (“alturas”, em hebraico) é um programa de orientação de carreira a olim chadashim que, por meio de uma ampla rede de especialistas voluntários e empresas parceiras, visa acelerar a sua inserção no mercado de trabalho local como parte do processo de absorção na sociedade israelense.

“É uma escola de networking em Israel. Tive a chance de conhecer muita gente e contar com a orientação de grandes executivos como mentores,” conta Denise Faldini, gerente de vendas para a América Latina da Bringg, start-up de tecnologia em logística. “É um privilégio trabalhar numa start-up na start-up nation. A dinâmica das relações entre as equipes é muito diferente e o brasileiro precisa correr atrás para se encaixar e obter o seu reconhecimento”, ensina.

Sediado no campus da Universidade de Tel Aviv, o Gvahim é uma subsidiária da Rashi Foundation. Realizado totalmente em inglês, tem um custo total de 700 shekels (pouco menos de 700 reais) ao participante, que deve ter feito aliá há no máximo dez anos, atualmente residir em Israel e ter um diploma universitário. De maneira resumida, o programa abrange as seguintes fases:

– Consultoria de recursos humanos: O aluno recebe 4 horas de atendimento com um especialista que vai orientá-lo quanto a assuntos e situações do cotidiano do candidato em busca do primeiro ou do novo emprego, incluindo reestruturação do curriculum e perfil no LinkedIn, preparação para entrevistas e dicas de como posicionar-se e agir no ambiente de trabalho israelense. É neste momento que se avalia a possibilidade ou a necessidade de “repackaging”, ou seja, mudar de área parcial ou totalmente. A decisão cabe ao aluno.

– Workshops: Durante 1 mês, o participante dedica 1 dia por semana a sessões com especialistas sobre temas diversos tais como marketing pessoal, linguagem corporal, contratos, pesquisa salarial e muito mais. Há atividades em grupo, incluindo simulação de entrevistas e treinamento para o temido “elevator pitch”, uma técnica ilustrada pela situação hipotética de apresentar-se de maneira eficaz durante apenas 1 minuto ao subir no elevador com o Bill Gates a ponto de fazê-lo ter o interesse em convidá-lo para uma entrevista.

– Placement team: Equipe de profissionais de recrutamento e seleção que apresenta ao aluno vagas reais abertas em empresas parceiras por meio de recomendação direta à área de RH e/ou gerente da vaga. Por meio de uma rede de mentores e consultores em geral, a equipe também auxilia o aluno que aplica para vagas no mercado por conta própria.

– Mentor: A cereja do bolo. Ao final dos workshops, cada aluno recebe um mentor, que é um executivo (israelense nato ou imigrante veterano) que em geral também trabalha na sua área de atuação, cuja tarefa é o aconselhamento individualizado e contínuo. Em geral, traça-se um plano de ação até a obtenção do primeiro ou do novo emprego. Com sorte, o mentor termina virando amigo do aluno e, quanto maior a interação e a confiança mútua, maiores as chances de sucesso.

Atualmente, 40% dos participantes do Gvahim são originários de países de língua inglesa como Estados Unidos, Reino Unido, África do Sul e Austrália. Logo depois vêm os franceses com 38%, seguidos de 17% de russos, ucranianos e cidadãos de outras ex-repúblicas soviéticas. Apenas 5% vêm da América Latina e outros países.

“Os brasileiros são bem-humorados, comprometidos e trabalhadores. Tais características, aliadas ao fato de que o seu temperamento é parecido ao dos israelenses nativos, tornam mais fáceis a superação do gap cultural e a integração à sociedade israelense”, acredita Lior Belahcen, nova diretora do programa de carreira e até há pouco integrante da equipe de recrutamento.

O CEO fala com orgulho dos números. A taxa de sucesso do Gvahim (isto é, a obtenção de um “emprego de qualidade” em até 1 ano após a conclusão do curso) é de 91%, com apoio de 650 empresas parceiras e 700 mentores. “Hoje, nós ainda não conseguimos satisfazer toda a demanda de olim com nossos programas. Precisamos de mais recursos. Nossos programas são altamente subsidiados e o olê paga apenas cerca de 10% do custo”, justifica Taifeld.



Uma outra iniciativa interessante do Gvahim são as aceleradoras como a TheHive, que já levantaram US$ 20 milhões em capital para start-ups criadas por olim. Com mais de 20 anos de experiência no mercado de high-tech em Israel, o carioca Hayim Makabee fundou a KashKlik, uma plataforma de influenciadores de mídia social. A start-up é uma das três criadas por brasileiros que receberam apoio do Gvahim.

“O programa de cinco meses oferece mentores, contatos com investidores e parceiros potenciais, além de escritório em Tel Aviv”, conta Makabee, que fez aliá em 1992 e, além da sua empresa, atua como único mentor brasileiro do Gvahim. Taifeld reconhece as conquistas do programa, mas revela planos ambiciosos, incluindo a expansão ou criação de programas direcionados a profissões específicas.

“Israel tem um déficit de 10 mil engenheiros de software e programadores e o Gvahim pretende estimular a aliá de olim com este perfil a fim de, ao mesmo tempo, suavizar a sua aterrisagem e atender a demanda nacional. Temos também um projeto piloto na área médica e queremos que, por exemplo, médicos brasileiros façam aliá para que possamos conectá-los ao mercado local. O Morim Olim é outro programa para integrar olim no sistema educacional. E muito mais”, resume.

O Gvahim acaba de estabelecer uma parceria com o Beit Brasil, a organização composta por cerca de 150 voluntários brasileiros espalhados por toda Israel para apoiar olim do Brasil antes, durante e depois da aliá. “Trabalharemos em conjunto com o Beit Brasil na busca e na inserção profissional. Um judeu pode ser brasileiro e israelense, há muitas opções de identidade que formam o cidadão. Não podemos prometer trabalho a ninguém, mas nossas estatísticas falam por si. Mas a proatividade do olê é tudo”, explica o CEO Taifeld.

Para Michel Abadi, presidente do Beit Brasil, o Gvahim tem tido uma importância ímpar para abrir o mercado de trabalho israelense aos olim brasileiros com formação acadêmica. “Eles ajudam o olê a entender onde ele está pisando, como deve ser comportar e se posicionar, e já os encaminham para as entrevistas certas nos lugares certos, aumentando incrivelmente as suas chances de sucesso. Desta forma, sua transição será mais leve e ele continuará a trilhar o seu caminho profissional sem ter que dar passos atrás”, explica Abadi.

Para o mexicano Taifeld, as aspirações profissionais de olim latino-americanos não diferem muitos do que buscam imigrantes de outros países. Ele reforça que os programas do Gvahim não são idealizados com base na nacionalidade, mas sim nas necessidades reais do mercado de trabalho em Israel. “Queremos que o Gvhaim seja a casa do olê, onde ele se sinta seguro, onde possamos dizer a ele ‘hakol ihiê beseder’ (“tudo ficará bem”). Ele vai ter altos e baixos, principalmente no primeiro ano de aliá, mas queremos que ele se sinta protegido por pessoas e profissionais que possam ajudá-lo a encontrar o seu lugar em Israel”, conclui.


Para mais informações sobre o Gvahim, acesse aqui.


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