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Noite dos Cristais (KristallNacht): a sinagoga que os nazistas não conseguiram queimar

Noite_Cristais

Texto de Israel Blajberg

1866. Na Oranienstrasse foi inaugurada a maior sinagoga de Berlin. 70 anos mais tarde, na noite de 9 para 10 de novembro de 1938, que passou a história como a infame KristallNacht, as SA – Sturm Abteilung (tropa de assalto) tentaram incendiá-la. Não contavam, porém, com a coragem de Wilhelm Krutzfeld, o delegado de polícia do Distrito 16, que os enfrentou de arma em punho e chamou os bombeiros, embora estivessem proibidos naquela noite de atender a pedidos de socorro das sinagogas. Estranhamente nada aconteceu com Krutzfeld. Ele apenas foi chamado a explicar-se no gabinete do prefeito. Aposentou-se em 1943, tendo falecido em 1953. Em 1980, o Senado de Berlin determinou que a sua sepultura no Cemitério protestante fosse transformada em mausoléu, e deu seu nome honrado a Academia de Polícia do Estado de Schleswig-Holstein.

A sinagoga era um prodígio da engenharia, vitrais iluminados a gás, conduzido em tubos, que mais tarde passaram a servir de dutos para fiação elétrica. O seu magnífico domo dourado resplandecente na distância, inspirado no Alhambra de Granada, foi projetado por um brilhante engenheiro, que deu seu nome a técnica de cálculo, passando a ser conhecida como Domo de Schwedler. Também no Rio de Janeiro podemos admirar um domo assim, no Palacete Mourisco da Fundação Oswaldo Cruz, na Avenida Brasil.

Até março de 1940 ainda se ouviram ressoar os cânticos no belíssimo templo. Salvo da Noite dos Cristais, não resistiu aos bombardeios de novembro de 1943. Até 1958 foi apenas uma ruína, no setor comunista, quando foi a final demolido.

Mas seu destino seria outro. Com a reunificação da Alemanha em 1991 o templo foi reconstruído e reinaugurado em 1995 como museu, exibindo o mesmo domo em todo seu esplendor.

Durante escavações, em 1989 foi encontrada entre os escombros a Ner Tamid (Luz Eterna), que acesa sobre a congregação, simbolizava a presença divina. Ela está hoje no museu, retorcida assim como foi tirada de baixo do entulho.

A presença judaica novamente pode ser sentida nas ruas. A KaDeWe, tradicional loja de departamentos tem folhetos em hebraico. Bem perto, na estação de trem mais antiga de Berlin, hoje de metro, uma placa recorda os trens que saíram dali para os campos de extermínio.

Em transversais da elegante Kurfursterdam, onde os nazistas colocaram nas lojas cartazes de Kauf nicht bei Juden (não compre dos judeus), viceja a sede da comunidade, e o Beit Chabad. E ao longo da Unter den Linden, onde na Universidade de Humboldt Goebbels mandou queimar livros, placas recordam estes e outros episódios daquela época negra, para nunca serem esquecidos.

Altaneira, a velha-nova sinagoga se destaca na paisagem da Oranienstrasse. Passadas tantas décadas, seu domo ainda domina o espaço sobre rua. Não foram erguidos prédios que pudessem superá-la em altura ou beleza em suas proximidades, mantendo intacto seu capital simbólico. Pode ser vista de toda a cidade, inclusive do alto do Reichstag, como símbolo da eternidade de Israel.

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