O que podemos aprender com o ecossistema de inovação de Israel

Texto: Luiz Fernando Feijó: As premissas para a consolidação de um ecossistema de empreendedorismo e inovação consistente, passa por cinco etapas:

Primeiro, é fundamental que a comunidade em questão identifique uma capacidade de geração de talentos. Sem o talento não há substrato para as próximas etapas, e aqui, o papel das escolas e universidades é preponderante.
Num segundo passo, iniciativas que visam aproximar e conectar estes talentos, criam aquilo, que chamamos de densidade. Quanto mais eventos de incentivo às colisões destes talentos, maior será a troca de conhecimento. Neste âmbito, os hubs de inovação, como a WeGo e as associações são os grandes catalizadores dessa densidade.

Quando a densidade cresce, surgem ideias novas, produtos e negócios, e vemos então o florescimento de uma cultura empreendedora, muito representada por startups, inventores e empreendedores de vários perfis.

Como em qualquer ecossistema da natureza, o fortalecimento de uma nova cultura irá atrair novos agentes. É assim que o capital privado chega. Investidores e empresas são atraídos pela possibilidade de retorno aos seus investimentos, (sejam financeiros ou na concepção de novos produtos).

Neste estágio de maturidade, o poder público, tem o papel de fomentar e criar políticas que serão capazes de acelerar ainda mais a inovação, daí a importância de um marco regulatório, orientado em benefício da sociedade.

É justamente com base neste princípio que quero pôr um olhar sobre o ecossistema de Israel, um país cuja população é menor do que a cidade de São Paulo, mas que já começa a ser chamado de Startup Nation (“A Nação Startup”).

Assim como o Vale do Silício, nos EUA e Shenzen, na China, Israel vem consolidando seu modelo, devido à sua habilidade em desenvolver densidade.

É claro que cada ecossistema é único, e nem quero dizer que devemos ser iguais à A ou B, mas vale uma análise, para que possamos aprender como o Brasil pode construir a sua própria identidade neste universo.

Mas como Israel conseguiu criar essa realidade, mesmo com suas limitações?

Talvez, um dos pilares desse movimento possa ser atribuído ao perfil dos seus empreendedores (talento). De maneira geral eles são mais “velhos” devido ao alistamento militar obrigatório, e a resiliência desenvolvida por este povo, historicamente envolvido em tensões fronteiriças e guerras, têm mostrado que empreendedores de segunda e/ou terceira viagem, são mais efetivos.

Outro ponto relevante em Israel é a abundância de capital, somente em 2020, as startups de Israel captaram U$ 9,9 bilhões, e tem entre seus cases mais conhecidos o Waze e o Moovit.

Por lá, os mecanismos de investimento e diluição permitem maior liquidez nas operações, mesmo em estágios iniciais das startups. Um investidor-anjo pode comprar e vender a sua participação rapidamente, numa dinâmica parecida com a Bolsa de Valores, isso porque há um ambiente regulatório propício aos investimentos em startups.

Uma iniciativa parecida à essa pode estar surgindo no Brasil com o lançamento da BVM12 (Bolsa de Valores do Maré), que tem o intuito de ser uma “bolsa de valores” exclusiva para empresas de alto impacto, mas isso é papo para outro artigo…

Por fim, na minha visão, um outro e talvez o principal motivo que impulsiona o ecossistema de Israel, é o mindset global, que norteia o empreendedor israelense. Devido ao tamanho do seu território, é natural que a mentalidade seja a de criar soluções globais e empresas internacionais, afinal com uma população de cerca de 9 milhões de pessoas, o mercado interno é muito restrito.

Então, ao observarmos regiões, como o Vale do Silício, Shenzhen, Israel, identificamos que o trabalho conjunto das universidades, da iniciativa privada e do poder público, é o estopim para uma cultura de inovação.

No Brasil, São Paulo, Florianópolis, Belo Horizonte, Campinas, têm sido exemplo deste movimento e já começa a dar seus frutos: hubs de inovação, aceleradoras, incubadoras são os promotores das conexões entre os diversos atores do ecossistema. O grande número startups e de unicórnios brasileiros, nos últimos tempos, é a prova cabal de que isso funciona!!!

Fonte: Z1 Portal

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