Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in posts
Search in pages

Obra do israelense Yehuda Amichai é traduzida pela primeira vez em português

Yehuda Amichai1



Um dos mais reconhecidos poetas israelenses do século XX, Yehuda Amichai (1924-2000), que já teve a sua obra traduzida para mais de 40 idiomas, agora ganha a sua primeira tradução brasileira, direta do hebraico, pelo professor Moacir Amâncio, do Departamento de Letras Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP: “Terra e Paz: Antologia Poética”, publicado pela editora carioca Bazar do Tempo, apresenta 80 poemas, no qual a cultura e a tradição judaicas ganham uma leitura renovada e dividem espaço com as memórias do nazismo, o sentido de impermanência da vida em Israel e em Jerusalém e a intimidade amorosa, mas, principalmente, a paz.

Nascido em Würzburg, na Alemanha, em uma família judaica ortodoxa, ele chegou à Palestina em 1935. Integrou o exército britânico na Segunda Guerra Mundial, lutou na Guerra da Independência, na Guerra do Sinai e na Guerra do Yom Kipur, ao mesmo tempo em que se tornava professor, atividade exercida durante toda a sua vida profissional, ao lado da literatura.

Amichai se definia como um “fanático da paz”, vocação que permeia toda a sua obra, como no trecho do poema “Eu não fui um dos seis milhões”, que está presente no livro, e se refere ao Holocausto: “Eu não estive entre todos aqueles mas o fogo e a fumaça/ficaram em mim, e as colunas de fogo e fumaça mostram/o caminho noite e dia, restou em mim a busca insana/por uma saída de emergência e por lugares macios,/pela nudez da terra para me abrigar dentro da fragilidade/para dentro da esperança, restou em mim o desejo da busca/de água fresca falando em voz baixa para a rocha e batendo loucamente”.

O professor Moacir Amâncio explica: “A tradução sempre é difícil e o hebraico tem suas particularidades. O hebraico apresenta vários desafios, com expressões muito próprias, que muitas vezes vêm da Bíblia e da linguagem dos rabinos, e que não possuem equivalentes imediatos em português”, destaca, acrescentando ainda que somente alguns correspondentes são encontrados em traduções antigas da Bíblia. Outra questão é traduzir a poesia, com seus ritmos, metáforas e jogos de palavras. “O poeta usa metáforas, e traduzi-las é uma dificuldade maior. Em princípio, o tradutor também deve produzir poesia na mesma língua do autor”.

Fonte: jornal da USP

[yuzo_related]

Rolar para cima