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Roma vai renomear ruas dedicadas a cientistas antissemitas

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A cidade de Roma vai mudar o nome de suas ruas dedicadas aos cientistas que assinaram o anti-judaico Manifesto della Razza (Manifesto da Raça), em 1938. Em substituição, as ruas receberão o nome de estudiosos que se opuseram ao regime fascista e foram perseguidos por ele, incluindo duas cientistas judias.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os historiadores concordam que, na pressa de fazer uma transição completa da ditadura fascista para a democracia, a Itália não conseguiu abordar a questão de quanto de sua liderança econômica e intelectual estava envolvida com o regime. Muitos deles conseguiram continuar suas carreiras e até foram homenageados por suas realizações profissionais. Um exemplo icônico é o de Gaetano Azzariti, que atuou como presidente do “Tribunal de Raça” e depois se tornou presidente do Tribunal Constitucional Italiano, em 1957.

Até hoje, inúmeras ruas e instituições em toda a península ainda ostentam o nome de intelectuais e profissionais envolvidos com o regime fascista. O processo para alterar os nomes das ruas selecionadas começou há cerca de um ano. Uma moção para esse fim acaba de ser aprovada pelo conselho municipal de Roma.

As ruas atualmente têm o nome de Arturo Donaggi e Edoardo Zavattari. Zavattari foi um biólogo que promoveu a ideia de racismo científico. Donaggi era psiquiatra. O Manifesto Racial, que ambos promoveram junto com outros importantes estudiosos italianos, tornou-se a base ideológica e pseudocientífica das políticas raciais do regime. As ruas de Roma com o nome de Donaggi e Zavattari serão agora dedicadas a Enrica Calabresi, Nella Mortara e Mario Carrara. A zoóloga judia Enrica Calabresi tirou a própria vida na prisão, em 1944, para evitar ser enviada para Auschwitz. Mortara era física. Ela trabalhou no mesmo laboratório que o proeminente cientista Enrico Fermi. Judia, ela fugiu da Itália em 1938 para escapar das perseguições – refugiou-se no Brasil por um período, seguindo o irmão, respeitado estatístico Giorgio Mortara – e morreu 50 anos depois, em 1988. Carrara, um patologista de destaque, foi um dos poucos acadêmicos italianos que se recusou a prestar lealdade ao Partido Fascista, em 1931. Ele foi preso cinco anos depois e morreu na prisão.

Estudantes e moradores dos bairros onde as ruas estão localizadas participaram do processo de escolha para homenagear as novas figuras históricas.



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